quarta-feira, 1 de março de 2017

Sobre o eterno, o presente e o amor

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Minha irmã me mostrou uma foto em que dormia com seus quatro filhos, pediu que eu escrevesse um texto sobre amor baseado nela. Disse que desejava que o tempo parasse nessa foto para manter as crianças pequenas e sempre perto dela. Lembrei de várias situações em que eu gostaria que o tempo parasse. Lembrei dos amores de carnaval que passam tão rápido, da paixão existente no início dos relacionamentos, dos abraços fortes, dos beijos sufocantes que nos enchem de vida e que gostaríamos de eternizar, do colo da mãe, de brincar com o pai.

Por outro lado, se tivéssemos esse poder, de quantos outros momentos lindos seríamos furtados? De dar um segundo abraço mais cúmplice, de ver as crianças crescerem e nos dando lições de vida, de acordamos no dia depois com a vontade de termos dias a mais. A vontade de tornar eterno a efemeridade contida na felicidade nos tolhe muitos momentos de mais amor. Aceitar a passagem rápida da vida é o segredo da felicidade.

Tão bom quanto ter as crianças protegidas dormindo ao seu lado é poder vê-las acordarem e crescerem. Ver o sorriso delas encantando cada canto da casa e da vida todos os dias.

O amor de verão pode viver até o inverno, primeiro beijo pode se repetir a cada novo dia, a cumplicidade de uma noite de carnaval underground pode perdurar até o próximo Natal. As crianças podem crescer e não mais caberem na cama, mas  sempre estarão aconchegadas no coração dos pais. A lembrança do amor de quando criança sempre estará viva no fio invisível da memória e pode ser revivida todas as vezes que o coração quiser visitar o passado.

Deus nos deu a memória para que sempre possamos fazer essas pausas, essas voltas. A nossa vida não pode jamais parar, mas o coração pode sempre voltar e revisitar nossas antigas paisagens. Mas sempre é bom lembrar que o melhor é estar muito bem aconchegado nos braços desse momento sagrado em que nosso pulsar agora está locado, onde deve estar nosso coração e nossa mente, que não é atoa que é chamado de presente.


Em memória da minha gatinha Poesia que morreu enquanto esse texto foi escrito.
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