segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Namastê



Faz tempo que não escrevo. Receava não conseguir transformar em palavras, sentimentos. Porque tudo o que eu sou não passa de um emaranhado de sentimentos que por vezes brincam de roda, noutras de Primeira Guerra.

Além disso, ao reler meus textos percebi que são repetitivos, pois geralmente são intimistas e viscerais demais. Textos passionais e egoístas. Isso me fez duvidar muito da qualidade das minhas mal traçadas linhas.

E tudo o que eu fiz, nos últimos 17 meses em que fiquei sem escrever foi desenrolar esses fios entrelaçados de sentimentos que formam meu corpo. O corpo que só eu conheço, o corpo de dentro.

Muitas vezes me senti patética com a busca incansável da minha façanha para mapear e dominar os meus impulsos, refluxos e masmorras emocionais.

Fiquei reclusa em um retiro Zen Budista, onde meditei por horas a fio, fui à Centro Espírita, Terreiro de Umbanda, conheci um Swami das Ilhas Maurício que atingiu a iluminação e me deu sua benção, ganhei um guru hinduísta, participei de Ritual Xamânico, fui à Culto Evangélico e conheci um ashram.

Eu racionalmente diria que não busquei nada disso, que as situações foram surgindo e, curiosa como sou, fui ver o que era. Mas talvez não... estava buscando desenfreadamente me espiritualizar. Queria achar uma razão para essa roda gigante em que somos acoplados assim que nascemos.

Uma das frases de efeito que eu costumo usar é: eu nunca quis ser igual, nunca me tocou ser do rebanho.

De fato, eu não conseguiria me classificar em determinado estereótipo social, crença ou religião.

Confesso que foi um tanto difícil para mim, que nasci e cresci com o catolicismo arraigado e com uma visão maniqueísta do mundo e das outras formas de religião e crenças, abrir minha visão para vivenciar a espiritualidade de outras maneiras. Mas como diz minha terapeuta, eu tive um “salto quântico”. Seja lá o que isso signifique, acredito que de fato tive algum insight psicológico que abriu meus horizontes para algo maior, que desse algum significado para mim e aos seres que me cercam.

E em todos esses lugares em que busquei a espiritualidade tive a sensação de plenitude e ao mesmo tempo de incompletude. Plenitude por ser parte de tudo e incompletude pelo fato de que em cada lugar onde estive, tirei meu sumo, mas não fui o devoto que era esperado. De certa forma, decepcionei a todos. Em nenhum desses lugares saí com a "vestimenta" completa. Apesar de bem trajada, sempre faltou alguma coisa, nem que fosse a abotoadura.

Porém, em cada destino espiritual ou religioso em que estive, apesar do discurso diferente, todos foram uníssonos em afirmar que cada Ser carrega em si a luz divina, o pulso de Deus, a luz do Espírito Santo.

Eu não servi a vários Deuses. Descobri que meu Deus é um só. Meu deus sou eu mesma. A Senhora da minha vida, a quem eu devo venerar e amar infinitamente. A quem devo fazer oferendas diárias de amor, afeto e gratidão.

Eu sou bem e sou mal, porém, mais do que qualquer classificação, eu continuo sendo um mosaico de sentimentos que, para quem observa raso é trama, mas de longe é poesia.

Aprendi nessa lição que somente assim posso amar todos os outros Deuses. Amar o Deus que está no céu, que está no Universo, o Deus que habita os templos, o deus chamado de Krishna, Oxalá, Jeová, Brama, Poder Superior, Maria, João,Paloma, Dione, Gabriela, Thaíse, Julia, Alexandra, Inês, Carolina, Éverton, Antônio...



Estou de volta, com todo meu ser, palavras, licenças poéticas, erros de visão e gramática, incoerente, densa, translúcida, (i)resignada e, sobretudo, satisfeita.

Até breve.

Um beijo carinhoso a todos os deuses que leram este texto.

Fabrine Souza




* Namastê: O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita em você.